Vaticano é contra e a favor do blockchain

A cúpula da igreja católica está dividida sobre as criptomoedas. Ao mesmo tempo em que prepara o lançamento de sua própria moeda, a Santa Sé pediu atenção ao uso da tecnologia para a venda de escravos

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Em novembro passado, o Vaticano realizou um seminário dedicado exclusivamente a discutir a tecnologia blockchain. O evento de três dias, realizado pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, tratou dos aspectos positivos e negativos da tecnologia, que consiste em grandes livros de contabilidade virtuais, descentralizados e criptografados.

O blockchain foi desenvolvido para dar suporte ao bitcoin, mas nos últimos anos suas aplicações vêm se mostrando muito variadas, capazes de transformar todo tipo de transação entre pessoas, empresas e entidades públicas. O que preocupa o Vaticano é a garantia que a tecnologia dá ao anonimato.

Joseph Mari, gerente sênior do Banco de Montreal, disse no seminário que as criptomoedas poderiam ser utilizadas para facilitar a lavagem de dinheiro.

Em acordo com essa linha de raciocínio, as lideranças do Vaticano que participaram do evento lançaram um manifesto pedindo cuidado no uso de moedas virtuais, já que poderiam, por exemplo, serem usadas na compra e venda de escravos humanos. A dificuldade de identificar os participantes das redes de criptomoedas poderia esconder a origem dos traficantes, diz o Vaticano.

Por outro lado, a sede da igreja católica vem discretamente preparando o lançamento de sua própria criptomoeda. Ela seria usada para aumentar a agilidade e diminuir a burocracia entre instituições ligadas à igreja. A moeda virtual católica ainda não tem data prevista de lançamento.

Blockchain Festival