Uma manhã com blockchain

Realizado no espaço inovaBra habitat, um preview do Blockchain Festival reuniu quatro empreendedores brasileiros que já trabalham com a tecnologia. No encontro, mediado pelo jornalista Pedro Dória, eles compartilharam suas experiências

 Da esq. para a dir: Pedro Dória, Mauro Rebelo, Percival Lucena, Paulo Morais e Felipe Pereira

Da esq. para a dir: Pedro Dória, Mauro Rebelo, Percival Lucena, Paulo Morais e Felipe Pereira

Um pesquisador que criou uma moeda virtual para uso de centros de ensino e laboratórios. Um cientista da computação envolvido em um projeto de monitoramento da cadeia logística de alimentos. Um educador que transformou alunos do ensino fundamental em geradores de inovação, capazes de buscar investidores entre seus colegas. E um empreendedor que está lançando uma plataforma de vídeos online, com 0% de taxação sobre a receita.

Esses quatro empreendedores brasileiros são protagonistas de iniciativas que têm uma base em comum: o blockchain. A tecnologia que garantiu o sucesso do bitcoin e das criptomoedas vem sendo aplicada em uma série de utilizações – a rigor, tem o potencial de revolucionar todo tipo de transação entre pessoas, corporações e instituições governamentais. Para tratar dessa revolução, eles se reuniram na manhã do dia 8, em São Paulo, no espaço inovaBra habitat, o espaço de co-inovação do Bradesco, para apresentar suas experiências, em um encontro mediado pelo jornalista Pedro Dória.

O evento serviu como um aquecimento para o Blockchain Festival, que vai acontecer no dia 23 de maio, no Renaissance Hotel, também na capital paulista. Realizado pela TW Content, o festival vai contar com mais de 25 palestrantes, que vão discutir a fundo as aplicações dessa tecnologia.

 Plateia atenta ao tema blockchain no inovaBra habitat

Plateia atenta ao tema blockchain no inovaBra habitat

Plantas e alimentos

O primeiro empreendedor a se apresentar foi o cientista Mauro Rebelo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que participa de um grupo de trabalho que, em parceria com profissionais da Fiocruz, está criando uma moeda comunitária para ser usada apenas pela comunidade científica. O projeto em blockchain facilitará o cadastro da biodiversidade brasileira. “Criamos uma plataforma para identificar os dados brutos do genoma de uma espécie, a região onde foi coletada e a que tipo de produtos ela deu origem”, explicou.

O blockchain, uma cadeia em blocos de dados, descentralizada e criptograda pode ser aplicado com diferentes finalidades. A tecnologia é transparente e segura, porque todos os usuários precisam validar qualquer acréscimo – o que inviabiliza, na prática, ataques de hackers ou adulterações. Com esse tipo de plataforma é possível registrar, com agilidade e legitimidade, todas as etapas de uma cadeia logística. E foi pensando assim que a IBM se uniu a um grupo de empresas de grande porte do ramo alimentício, como Dole, Nestlé, Tyson Foods, Kroger e Walmart, a fim de criar um sistema de supply chain baseado em blockchain para rastrear vários tipos de alimentos, da produção às prateleiras dos supermercados.

“Criamos uma rede de blockchain específica, a Food Safety, e essa rede de segurança alimentar permite que produtores, transportadores, processadores de alimentos consigam rastrear como esse alimento está chegando, desde o ponto de produção até o ponto final”, explicou Percival Lucena, mestre em Ciência da Computação pela USP e pesquisador do IBM Research Lab Brazil para projetos em blockchain.

Educação e cultura

Paulo Morais, o terceiro palestrante do evento de aquecimento para o Blockchain Festival, começou a carreira de empreendedor quebrando seu primeiro negócio, há mais de 20 anos. Desde então, venceu o prêmio de empreendedorismo Acelera Startup, da Fiesp. E também criou um projeto de impacto social baseado em blockchain, o Programa Venturança de Educação Empreendedora. A aplicação funciona assim: cerca de 4 mil alunos do interior de São Paulo recebem criptomoedas por suas notas nas provas. Esses valores podem ser investidos em projetos desenvolvidos por colegas. O objetivo é estimular a inovação. “Toda vez que um aluno investe no projeto de um colega, ele paga uma taxa de 15%, que vai para um fundo amigo, usado para financiar premiações para os projetos vencedores nas iniciativas da escola”, explicou Paulo. “Muitas pessoas imaginaram que os alunos não saberiam lidar com esse sistema. Mas eles aprendem rapidamente”.

Felipe Pereira, co-fundador da Paratii, uma plataforma descentralizada para monetização de vídeos foi o último a falar de seu empreendimento. Recordista no crowdfunding brasileiro, quando tinha só 19 anos, Felipe trabalhou na Endeavor e na Bossa Nova Films. “Queremos criar um YouTube sem YouTube, ou seja, uma plataforma de vídeo sem os intermediários, que filtram o conteúdo e ficam com uma parcela dos rendimentos adquiridos pelos proprietários do conteúdo”.

Para isso, a produtora Paratii construiu um vídeo player embedável, com protocolos abertos e projetado para recompensar todos os usuários que contribuem com o sistema de forma social, econômica ou técnica. Ou seja: há incentivos para que a comunidade possa coletivamente fazer a curadoria do conteúdo e até submeter contribuições para a melhoria do software do player.

 Pré-evento do Blockchain Festival: muitos interessados em saber sobre a tecnologia

Pré-evento do Blockchain Festival: muitos interessados em saber sobre a tecnologia

É dia 23!

Ficou interessado em todo o potencial do blockchain?

As inscrições para o Blockchain Festival estão abertas: durante a jornada, além de palestras, mesas redondas e painéis, serão apresentados outros cases onde a tecnologia foi aplicada.

Entre os nomes confirmados que estarão no evento do dia 23 estão Luca Cavalcanti, diretor executivo de canais digitais, inovação e Next do Bradesco; Glória Guimarães, presidente do Serpro; Ronaldo Lemos, do ITS-Rio; Keiji Sakai, head do consórcio R3; Anderson Thees e Manoel Lemos, do fundo Redpoint eventures, além de representantes de empresas e instituições como Banco Central, Banco do Brasil, B3, Pinheiro Neto Advogados, ConsenSys, Taylor... Enfim, um timaço que vai dividir com a plateia todo o seu conhecimento sobre blockchain.

Para saber a programação completa clique aqui. Os ingressos ainda estão com desconto!

Blockchain Festival