Saiba como o blockchain pode mexer com a sua vida

Assim como o browser teve um papel significativo na disseminação da internet, um sistema mais intuitivo de blockchain pode mudar a forma como atuamos online

 Em sentido horário: Bruno Feigelson, Liliane Tie, Felipe Pereira, Clarissa Luz e Manoel Lemos

Em sentido horário: Bruno Feigelson, Liliane Tie, Felipe Pereira, Clarissa Luz e Manoel Lemos

De que maneira o blockchain pode mudar a nossa vida? A pergunta foi o tema central de um painel de discussão no evento Blockchain Festival, que aconteceu no dia 23 de maio, em São Paulo. Os cinco participantes do painel concordam em um ponto: o que está acontecendo agora, com o blockchain, é muito semelhante com o que se viu na internet pré-browser. “Quando entrei na Unicamp, em 1993, um professor veio me mostrar o primeiro browser, o Mosaic. Era o começo da web como a gente conhece hoje”, disse o moderador do painel, Manoel Lemos, sócio do fundo Redpoint eventures. “A internet já existia, mas o browser teve um papel fundamental para popularizar a rede.”

Qual será o “browser” do blockchain? O sistema capaz de levar a tecnologia para as pessoas comuns? “A gente tem muitos empreendedores, mas faltam desenvolvedores para que os projetos se materializem”, disse Liliane Tie, community builder na rede Women In Blockchain Brasil. “A adoção vai vir quando as pessoas conseguirem criar suas organizações autônomas distribuídas com a facilidade com que se cria um website no Wordpress”, disse Liliane.

“Precisamos de proteção de dados”, afirmou Clarissa Luz. “Enquanto isso não vem, a insegurança jurídica será enorme.” Advogada especializada em Direito da Tecnologia e Propriedade Intelectual pela University of California Berkeley, Clarissa deu um exemplo de uma possível aplicação do blockchain: o combate às fake news. “Por meio da verificação do caminho, você analisa se aquela informação disseminada vem de uma fonte segura, confiável, ou se ela foi compartilhada por meio de robôs, porque boa parte das fake news são disseminadas por robôs”, disse.

Já Felipe Pereira vê uma outra aplicação imediata do blockchain: o surgimento de um Youtube sem Youtube, ou seja, de plataformas de compartilhamento de vídeos sem a necessidade de intermediação. Foi pensando assim que Felipe fundou a Paratii, uma plataforma para monetização descentralizada de vídeo online. A Paratii construiu um vídeo player embedável, com protocolos abertos e projetada para recompensar todos os usuários que contribuem com o sistema. “Agora precisamos de mais designers, para criar plataformas cada vez mais amigáveis”, disse Pereira.

“Existem dois desafios no uso de blockchain”, afirmou Bruno Feigelson, presidente da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs). “O primeiro é tecnológico: estamos tentando entender como gerar escala. O segundo está relacionado ao fato de termos que absorver a noção de descentralização.” Mas essas dificuldades serão superadas. “Tenho certeza que o blockchain vai transformar absolutamente tudo”, afirmou Feigelson.

O Blockchain Festival reuniu 515 espectadores e 27 palestrantes em São Paulo. Organizado pela TW Content, com patrocínio do inovaBra, espaço de inovação do Bradesco, e do fundo Redpoint eventures, o evento aconteceu no Hotel Renaissance. Dos 27 especialistas de diferentes partes do Brasil que subiram ao palco, 17 participaram de quatro painéis, que abordaram temas relevantes para o mundo do blockchain.

Blockchain Festival