Programa Venturança leva o mundo das criptomoedas para as escolas

Mais de 4 mil alunos do interior paulista participam da iniciativa, que transforma notas escolares em dinheiro virtual. O valor pode ser investido em projetos de inovação dos colegas, o que estimula o empreendedorismo

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Os alunos recebem criptomoedas por suas notas nas provas – quanto melhor o desempenho escolar, mais eles ganham. Esses valores formam um sistema monetário interno da escola. Eles podem ser investidos em projetos de aprendizagem criativa eleitos pela classe ou pela escola, como robótica, computação com Scratch, ecobrinquedos, ações para feiras de ciências... O objetivo é estimular a inovação, porque, quando uma iniciativa é premiada, ganha o desenvolvedor, mas também o investidor. Mais de 4 mil crianças de ensino fundamental, de Campinas, Limeira, Mogi Mirim e Mogi Guaçu participam do programa.

 “Toda vez que um aluno investe no projeto de um colega, ele paga uma taxa de 15% que vai para um fundo amigo, usado para pagar premiações para os projetos vencedores nas iniciativas da escola”, explicou o responsável pela iniciativa, Paulo Morais. “Muitas pessoas imaginaram que os alunos não saberiam lidar com esse sistema. Mas eles aprendem, rapidamente. Vimos muitas crianças do ensino fundamental 1 criando jogos”.

Fundada por Paulo, o projeto que coloca moedas virtuais nas mãos de crianças se chama Programa Venturança. Ele usa blockchain para promover empreendedorismo e gerar impacto social. Não é sua primeira incursão no mundo da iniciativa privada. Paulo começou a carreira de empreendedor quebrando seu primeiro negócio, há mais de 20 anos. Desde então, emplacou diferentes projetos – por exemplo, venceu o prêmio de empreendedorismo Acelera Startup, da Fiesp.

Paulo Morais apresentou sua ideia no espaço inovaBra habitat, em São Paulo, no último dia 8. A reunião foi mediada pelo jornalista Pedro Dória, com participação de Mauro Rebelo, da Genecoin, Percival Lucena, da IBM , e Felipe Pereira, da plataforma de vídeos Paratii.

O encontro serviu como um aquecimento para o Blockchain Festival, que vai acontecer no dia 23 de maio, no Renaissance Hotel, também na capital paulista. Realizado pela TW Content, o festival contará com mais de 25 palestrantes, que irão discutir a fundo as aplicações dessa tecnologia.

Entre os nomes confirmados estão Luca Cavalcanti, diretor executivo de canais digitais, inovação e Next do Bradesco; Glória Guimarães, presidente do Serpro; Ronaldo Lemos, do ITS-Rio; Keiji Sakai, head do consórcio R3; Anderson Thees e Manoel Lemos, do fundo Redpoint eventures, além de representantes de empresas e instituições como Banco Central, Banco do Brasil, B3, Pinheiro Neto Advogados, ConsenSys e Taylor.

“O blockchain é uma rede autogerível, em que os pontos são protagonistas, e não simplesmente meros usuários. Essa característica nos intriga e nos inspira”, diz Paulo Morais. “Educação, nessa perspectiva, consiste em menos tutoria, mais mentoria, e a tecnologia surge como uma prática de protagonismo real”.

Blockchain Festival