Pode o blockchain mudar a vida das empresas?

Um painel com cinco especialistas discutiu, durante o evento Blockchain Festival, como corporações de diferentes setores estão se preparando para usar a tecnologia que promete transações rápidas e confiáveis

 Da esq. para a dir.: José Maria Leocádio, Keiji Sakai, Carl Amorim, Safiri Felix, Luca Cavancanti e Katia Militello

Da esq. para a dir.: José Maria Leocádio, Keiji Sakai, Carl Amorim, Safiri Felix, Luca Cavancanti e Katia Militello

Uma base de dados distribuída, descentralizada e criptografada pode transformar a maneira como as empresas se comunicam e compartilham valores. A jornalista Katia Militello, cofundadora da agência TW Content, conduziu uma conversa sobre esse assunto durante o Blockchain Festival, evento que reuniu 515 espectadores e 27 palestrantes no dia 23 de maio, em São Paulo. O painel reuniu cinco especialistas: Luca Cavalcanti, diretor executivo de canais digitais, inovação e Next do Bradesco; Safiri Felix, especialista em criptomoedas e business developer da ConsenSys, líder global em aplicações para blockchain; Carl Amorim, executivo do Blockchain Research Institute no Brasil e co-editor do livro Blockchain Revolution, de Don e Alex Tapscott; Keiji Sakai, country manager do Consórcio R3 no Brasil; e José Maria Leocádio, coordenador estratégico de inovação, governança e TI do Serpro.

Luca Cavalcanti explicou que o Bradesco mantém uma área específica para blockchain dentro de seu departamento de inovação. “Criamos dez projetos, cinco em produção, alguns em aprovação com o Banco Central. Temos projetos compartilhados de forma histórica com outros bancos”, disse Cavalcanti. “No setor financeiro, em que a confiança é a base de tudo, a transação rápida e com menos atrito é o que buscamos com a utilização de blockchain.”

Já a ConsenSys atua com 55 iniciativas em mais de 15 áreas de negócios, em especial supply chain e identidade digital. Em identidade, desenvolveu, em parceria com a Microsoft, uma prova de conceito para uma ferramenta de identificação digital para os ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento. “Nesse caso, o usuário tem todos os dados e o poder de controlar quem consome seus dados”, disse Safiri Felix.

O Consórcio R3 está fazendo uma série de lançamentos. “Os anos de 2015 a 2017 foram de experimentação. Temos, em 2018, vários lançamentos programados”, afirmou Keiji Sakai. “Os projetos nos segmentos de registros de documentos, supply chain e seguros são os que a gente identifica como os mais avançados.”

O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) também investe na tecnologia, mais especificamente em dois projetos. “Iniciamos provas de conceito com os clientes do Serpro, como a Secretaria do Tesouro Nacional, que mantém o Tesouro Direto, e temos também um outro projeto com um banco, para fazer análises de informações públicas de contratos dentro de um blockchain”, afirmou José Maria Leocádio.

Mas qual será a ferramenta mais utilizada pelas empresas, os blockchains públicos ou os privados? O primeiro é descentralizado de fato. O segundo é sustentado por uma corporação. As diferenças de conceito incitam polêmicas. “Na minha opinião, blockchain privado não é blockchain, não tem nada a ver com o conceito original”, disse Safiri Felix, da ConsenSys.

“Se é blockchain, ou se é uma rede privada baseada em blockchain, não importa. A questão é que a solução é brilhante, ótima para fazer troca de informações, eliminar disputas e tornar o processo muito mais rápido”, diz Leocádio, do Serpro. “Não vejo instituições gigantescas, fazendo transações gigantescas, e usando uma rede aberta. Já no varejo, não tenho dúvida, o blockchain pode ser totalmente aberto e público.”

O fato é que os cenários vão mudar, e muito rápido. Carl Amorim deu um bom exemplo do quanto o blockchain vem evoluindo e criando novos parâmetros. “A coisa é tão rápida que o Don e o Alex Tapscott estão lançando uma nova edição do livro, com mais 25 mil palavras, revendo o que eles tinham previsto. Eles erraram em várias previsões, todas por conta de tempo, porque as previsões aconteceram antes do que eles imaginavam.”

Blockchain Festival