Pesquisadores da IBM no Brasil trabalham para rastrear alimentos

O projeto Food Tracking, desenvolvido em parceria com gigantes do varejo, pretende monitorar toda a cadeia logística para garantir a procedência dos produtos e identificar problemas de contaminação

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O blockchain surgiu para dar suporte ao bitcoin, mas pode revolucionar dezenas de setores da economia. Um deles é a logística. O controle de todas as etapas do processo de distribuição de bens é especialmente difícil e sujeito a burocracias que fazem perder tempo e dinheiro. Quando se trata de segurança alimentar, um sistema de monitoramento mais eficiente pode até mesmo salvar vidas. Foi pensando assim que a IBM desenvolveu o projeto Food Tracking.

A empresa se uniu a um grupo de companhias de grande porte do ramo alimentício, como Dole, Nestlé, Tyson Foods, Kroger e Walmart, a fim de criar um sistema de supply chain baseado em blockchain para rastrear vários tipos de alimentos, da produção às prateleiras dos supermercados. O IBM Research Lab Brazil  está envolvido ativamente nessa iniciativa. Um dos pesquisadores que participam é Percival Lucena, mestre em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo (USP) e parceiro do laboratório da IBM para projetos em blockchain.

“Criamos uma rede específica que permite que produtores, transportadores e processadores de alimentos consigam rastrear como eles estão chegando, desde o ponto de produção até o ponto final”, Percival explicou, no último dia 8, durante uma mesa-redonda realizada no espaço inovaBra habitat, em São Paulo.

A reunião foi mediada pelo jornalista Pedro Dória, com participação, também, de Mauro Rebelo, da Genecoin, Paulo Morais, do Projeto Venturança, e Felipe Pereira, da plataforma de vídeos Paratii.

O evento serviu como uma prévia do Blockchain Festival, que vai acontecer no dia 23 de maio, no Renaissance Hotel, também na capital paulista. Realizado pela TW Content, o festival vai contar com mais de 25 palestrantes, que discutirão a fundo as aplicações dessa tecnologia.

Durante a mesa-redonda, Percival Lucena explicou que blockchain são cadeias de blocos de dados, descentralizadas e criptografadas. São transparentes e seguras, porque todos os usuários precisam validar qualquer acréscimo de dado – o que inviabiliza, na prática, ataques de hackers ou adulterações. Com esse tipo de plataforma, é possível registrar, com agilidade e legitimidade, todas as etapas de uma cadeia logística.

Ou seja, se todos os participantes da uma rede de distribuição de alimentos registrarem entradas e saídas em uma rede de blockchain, seria possível garantir a procedência de, por exemplo, alimentos orgânicos. “Hoje o consumidor confia em marcas, e é obrigado a acreditar no que a embalagem afirma. Com o blockchain, a confiança passa a estar no produto em si, que foi rastreado em cada etapa”, disse Lucena.

O procedimento pode barrar alimentos que estragaram ou foram contaminados, e isso antes que eles cheguem à mesa do consumidor – o que poderia reduzir o número de pessoas que morrem contaminadas por comida no mundo, todos os anos: 400 mil. No Brasil, a IBM desenvolve o projeto em parceria com a BRF e a rede varejista Carrefour.

Blockchain Festival