O que a internet ganha ao ser descentralizada

Alexandre Van de Sande, da Ethereum, apresentou no Blockchain Festival, em São Paulo, os motivos pelos quais a internet pode, e deve abandonar o modelo atual e se tornar descentralizada

 Alexandre Van de Sande, da Ethereum, defende a descentralização da internet

Alexandre Van de Sande, da Ethereum, defende a descentralização da internet

Qual é a diferença entre uma ferrovia do interior de São Paulo e uma estrada romana de 2 mil anos? A ferrovia tem dono. Se for abandonada, seja porque o governo mudou as prioridades, seja porque a empresa gestora faliu, ninguém mais pode assumi-la se não comprá-la. Já uma milenar estrada romana continua preservada, mesmo depois de tantos séculos do fim do Império Romano. Isso porque outras civilizações se sucederam e tomaram conta dela, porque continuaram a utilizá-la de forma espontânea.

Para Alexandre Van de Sande, a internet é uma ferrovia. Mas pode muito bem se tornar uma estrada. E o blockchain tem o potencial de garantir essa transformação. “Nós construímos a internet como ferrovia. Redes enormes podem desaparecer do dia para a noite, porque elas têm donos”, ele comparou. “Já na estrada, outras comunidades que estavam investindo naquela região podem continuar fazendo isso. A descentralização é positiva porque não depende mais de apenas uma pessoa”.

Alexandre é designer, trabalha para a Ethereum Foundation desde 2014 e atualmente lidera o desenvolvimento do projeto Mist, um browser que se utiliza do poder de contratos inteligentes no blockchain para criar uma internet mais descentralizada. Ele defendeu a descentralização da internet no auditório do Hotel Renaissance, em São Paulo, na tarde de 23 de maio. Foi um dos 27 especialistas a se apresentar durante o Blockchain Festival, promovido pela TW Content.

O que blockchain tem a ver com a descentralização da internet? Tudo. A tecnologia surgiu para dar suporte ao bitcoin e consiste num banco de dados distribuído por toda a rede. Não tem um único proprietário, e cada informação acrescentada a ele precisa ser validada pelo conjunto dos usuários. E esse é o futuro para mudar a rede mundial de computadores, que cresceu demais e ficou nas mãos de poucas empresas.

“Quando a gente fala da nuvem, pode se iludir com a metáfora. A nuvem é uma central de servidores, ela é física”, ele explicou. “Quando falamos que a sua vida, suas fotos, seus contatos, seus amigos, seus dados pessoais estão na nuvem, isso significa que eles estão no computador de alguém, e esse computador tem dono, alguém pode desplugar e apagar os dados”. Alexandre citou o caso do Facebook, que tem 2 bilhões de usuários ativos. “O direito da pessoa de se expressar, de rezar, de acreditar, de se organizar, passa pelo Facebook. E tudo o que passa por ali está nas mãos de uma única pessoa”.

O especialista explicou: na nova rede, suportada por blockchain, as informações estão espalhadas por diferentes computadores, que se apresentam para fornecer algum dado solicitado por um dos usuários. Quem presta informações recebe micropagamentos em troca. “Na internet atual, não há nada pior do que ser famoso. Na nova internet, você é beneficiado por ser popular”.

Blockchain Festival