Implantação demanda tempo e dinheiro

O blockchain é revolucionário, porque permite registros digitais de qualquer tipo com total segurança. Mas sua implementação não é simples. Será preciso tempo e muito trabalho para alterar processos e sistemas para ele evoluir

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Existem tecnologias disruptivas, que fornecem soluções imediatas, de curto prazo, fáceis e rápidas de implementar. E existem tecnologias que mudam todas as fundações da economia. O blockchain está no segundo caso. É um banco de dados, público e inviolável, no qual podem ser registrados arquivos digitais de todo tipo. Cada item guardado no blockchain é datado e leva uma assinatura, formada por uma sequência de letras e números.

Tudo isso resulta numa estrutura absolutamente nova, descentralizada e que não depende de intermediários. Mas não é uma solução de implementação automática: precisamente por ser revolucionária, ela demanda um trabalho árduo de alteração em processos e sistemas.

Segundo os pesquisadores Marco Iansiti e Karim R. Lakhani, foi assim também com a internet, que demorou duas décadas para começar a se estabelecer, e mais uma para se disseminar. “Uma vez que a infraestrutura básica ganhou massa crítica, uma nova geração de companhias se aproveitou do baixo custo da conectividade para criar serviços de internet que eram substitutos vantajosos para os negócios que existiam na época”, eles escreveram.

Os especialistas esperam que algo parecido aconteça com o blockchain. O tamanho do impacto será semelhante: “A tecnologia de TCP/IP desbloqueou uma nova economia ao reduzir o custo das conexões. Em termos similares, o blockchain pode reduzir dramaticamente o custo das transações”. Mas a implementação também precisará de tempo: “O bitcoin é como um tipo inicial de e-mail, então o blockchain está a décadas de alcançar seu potencial pleno? Em nossa opinião, a resposta é, definitivamente, sim”, eles escreveram.

A comparação com o e-mail não é fortuita. “Alternativa barata a telefonemas, faxes e correio, o e-mail era uma aplicação básica e de baixo custo do TCP/IP. O bitcoin entra nesse mesmo quadrante, ao oferecer valor para pessoas que o usam apenas como um método de pagamento”. Num segundo momento, eles argumentam, o blockchain vai ser usado por grupos de empresas para formar redes menores, com custos baixos de manutenção. “Nós prevemos a proliferação de blockchains privados, que servem a propósitos específicos de diferentes indústrias.”

Só então, num terceiro estágio de adoção da tecnologia, é que a aplicação tende a se difundir em grandes redes, utilizadas pela maior parte da população, e não só nos países desenvolvidos – a internet, por exemplo, já está difundida inclusive em países pobres da África. Por fim, dizem os especialistas, virão as transformações econômicas, legais, políticas e sociais necessárias para que o blockchain esteja disseminado, em todos os continentes, para diferentes camadas da população, nos setores público e privado.

 

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