ICO ou IPO? Entenda como as empresas vão captar recursos

Os chamados Initial Coin Offerings levantaram só nos Estados Unidos este ano mais de US$ 6 bilhões. Trata-se de uma forma nova de colocar um negócio em pé 

 Da esq. para a dir.: Fernando Ulrich, Courtnay Guimarães, Régio Soares Martins e Anderson Thees

Da esq. para a dir.: Fernando Ulrich, Courtnay Guimarães, Régio Soares Martins e Anderson Thees

O montante levantado em ICOs nos Estados Unidos, no primeiro trimestre deste ano, alcançou 6,3 bilhões de dólares. Isso já significa 40% do mercado de IPOs no país. Os números foram apresentados por Fernando Ulrich, especialista em criptomoedas e blockchain do grupo XP.

IPO é a sigla para Initial Public Offering, um meio tradicional de buscar financiamento, especialmente nos Estados Unidos. Já ICO é um mecanismo mais recente. Sigla para Initial Coin Offering, ou oferta pública de moeda, ele vem crescendo rapidamente no mundo.

Fernando Ulrich participou de um painel de discussão no evento Blockchain Festival mediado por Anderson Thees, sócio do Redpoint eventure, que discutiu se os ICOs serão a melhor forma para empresas captarem recursos no futuro. “O primeiro ICO foi um evento fortuito, que aconteceu porque um moleque extremamente inteligente pensou em fazer um levantamento coletivo de fundos para criar uma plataforma, que se chamou Ethereum”, afirmou Courtnay Guimarães, CTO e sócio fundador da consultoria Idea Partners.

O problema, disse Guimarães, é que desde então surgiram muitos projetos difíceis de colocar em prática, levantando valores altíssimos. “Em 2017, qualquer pessoa, escrevendo um paper cheio de frases que ninguém entende começou a levantar fortunas”, disse.

Régio Soares Ferreira Martins, superintendente de produtos da B3 e membro da equipe de pesquisa em blockchain da bolsa, concordou: “O ICO paga pelo sucesso e acabou naturalmente atraindo uma série de picaretas”, disse. Mas fez uma ressalva: “Ninguém pode ser contra uma tecnologia que facilita o levantamento de capital de forma rápida, barata e eficiente.”

Régio Soares explicou que IPO e ICO são sistemas diferentes, com utilidades diversas, e para investidores de perfis diferentes. “O IPO é um processo caro, demorado e até traumático para uma empresa. Mas quem passa por esse processo já chega no mercado com uma espécie de selo de garantia de sucesso.” Já os ICOs, ele afirmou, são voltados principalmente para startups que lidam com negócios que geralmente estão na fronteira da tecnologia e são tocados por pessoas sem experiência em gestão de empresas. São negócios mais arriscados, disse. “Sofisticação, pulverização e paciência são características do investidor em ICO. Dificilmente são qualidades de um investidor de IPO”, afirmou Soares.

Para Courtnay Guimarães, mais importante do que a quantidade de criptomoedas distribuídas para novos projetos é o fato de que o mundo está aberto a novas ideias. “Não basta a startup ir atrás de dinheiro. Precisa buscar também outros sócios, ter gestores. Estamos vivendo um boom de empreendimentos.”

O Blockchain Festival reuniu 515 espectadores e 27 palestrantes no dia 23 de maio. Organizado pela TW Content, com patrocínio do inovaBra, espaço de inovação do Bradesco, e do fundo Redpoint eventures, o evento aconteceu no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Blockchain Festival