Genecoin usa blockchain para registrar o genoma de espécies brasileiras

Projeto desenvolvido por pesquisadores do Rio de Janeiro pretende reunir, num banco de dados totalmente seguro e descentralizado, dados sobre a biodiversidade nacional. O grupo também criou sua própria criptomoeda

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Mauro Rebelo é um bom cozinheiro e saxofonista amador. Também é cientista, empreendedor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conduziu a primeira campanha bem-sucedida de crowdfunding científico no Brasil. E agora trabalha com o objetivo de acelerar a pesquisa e a inovação em biotecnologia. Para isso, ele criou uma plataforma de blockchain e uma moeda virtual.

“Convivo há muitos anos com os problemas da ciência no Brasil, um deles a falta de dinheiro”, diz Mauro “Comecei a pesquisar as criptomoedas e imaginei que elas poderiam ajudar a lidar com a questão, já que seria possível criar dinheiro”. Foi o que Mauro fez. Ao lado de um grupo de pesquisadores da UFRJ e da Fiocruz, ele desenvolveu a Genecoin.

A moeda virtual do grupo foi criada com base na plataforma Ethereum. Na sequência, os pesquisadores sentiram a necessidade de desenvolver uma rede privada de blockchain. “Existe um desafio grande, relativamente recente, que é o desenvolvimento de produtos de alto valor agregado a partir da biodiversidade”, Mauro explicou. “Por isso criamos uma plataforma para identificar os dados brutos do genoma de uma espécie, a região onde foi coletada e a que tipo de produtos ela deu origem”.

O primeiro parceiro de grande porte é a Reservas Votorantim, uma empresa que gere os ativos florestais do grupo. “Hoje temos a informação sobre a espécie, uma foto, a localização geográfica, as informações do genoma, e estamos fazendo o primeiro contrato inteligente para utilização desse benefício”.

Mauro Rebelo contou sobre sua experiência em uma mesa-redonda, realizada no espaço inovaBra habitat, em São Paulo. O encontro foi mediado pelo jornalista Pedro Dória, com participação, também, de Percival Lucena, da IBM, Paulo Morais, do Projeto Venturança, e Felipe Pereira, da plataforma de vídeos Paratii.

 O evento serviu como um aquecimento para o Blockchain Festival, que vai acontecer no dia 23 de maio, no Renaissance São Paulo Hotel, também na capital paulista. Realizado pela TW Content, o festival vai contar com mais de 25 palestrantes, que vão discutir a fundo as aplicações dessa tecnologia.

Entre os nomes confirmados estão Luca Cavalcanti, diretor executivo de canais digitais, inovação e Next do Bradesco; Glória Guimarães, presidente do Serpro; Ronaldo Lemos, do ITS-Rio; Keiji Sakai, head do consórcio R3; Anderson Thees e Manoel Lemos, do fundo Redpoint eventures, além de representantes de empresas e instituições como Banco Central, Banco do Brasil, B3, Pinheiro Neto Advogados, ConsenSys e Taylor.

Blockchain Festival