Está começando mais uma revolução na música

Novos sistemas digitais acabam de vez com a necessidade de intermediários entre quem produz e quem escuta música. Essa é uma oportunidade para controlar a remuneração por direitos autorais e também para evitar a pirataria

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A internet mudou a música para sempre. As plataformas digitais permitem às pessoas terem acesso a muito mais conteúdo, de quaisquer lugares do mundo. Elas podem ouvir apenas as canções de que gostam, sem a necessidade de comprar discos inteiros. Para músicos e bandas, no lugar das lojas de discos, chegou a era de distribuir canções em plataformas digitais. Mas a verdade é que elas ainda funcionam como intermediárias que pagam muito pouco aos próprios produtores.

Plataformas baseadas em blockchain querem acabar com esse problema – e, de quebra, prometem revolucionar o mercado musical, mais uma vez. Com a Mycelia  e a Ujo Music, por exemplo, quem faz música pode negociar diretamente com quem ouve. E não apenas faixas prontas: o artista poderia, por exemplo, compartilhar um improviso de estúdio, ou uma versão que não foi finalizada que, nos moldes atuais, acaba sendo descartada – ou aproveitada muito tempo depois, em compilações, geralmente lançadas depois da morte do artista.

Com blockchain, o contrato de compra e o pagamento acontecem em plataforma digital, e o arquivo com o produto é enviado rapidamente. Com a vantagem de que esse arquivo pode ter uma assinatura digital que identifica a distribuição ilegal. Dessa forma, o blockchain atuaria também para resolver o problema da pirataria.

A Mycelia foi desenvolvida pela cantora e compositora ganhadora de Grammy, Imogen Heap. Ela defende que, se os músicos não se apropriarem dessa tecnologia rapidamente, outras empresas irão fazer. E, mais uma vez, como aconteceu no início da era da internet, os músicos vão perder a oportunidade de assumir o controle sobre sua própria produção. “Em geral, as plataformas para distribuição são construídas sem o envolvimento do artista”, ela afirmou, em 2015, à revista Forbes. “Quero me envolver e acrescentar ao diálogo, em busca de encontrar uma casa verdadeira para a música”.

Outra possibilidade é o uso de criptomoedas para financiar shows e espetáculos. O artista Gramatik fez uma experiência recentemente: lançou uma plataforma de financiamento em crowdfunding e arrecadou US$ 2,5 milhões. Quem fez doações vai receber um percentual dos royalties. E, assim, músicos e fãs podem se transformar em parceiros.

 

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