Como será o bitcoin daqui a 20 anos?

A primeira criptomoeda de alcance global surgiu há uma década. O autor futurista Daniel Jeffries tenta imaginar como será sua evolução. E prevê: a bolha das criptomoedas deve estourar, mas isso será só o começo

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Em 18 de agosto de 2008, o domínio bitcoin.org foi registrado. Em 31 de outubro, veio a público o famoso texto apresentando a tecnologia: Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System. Em 2018, portanto, a criptomoeda mais usada no mundo completa dez anos. Da mesma forma, faz aniversário o blockchain, a tecnologia que permitiu que as moedas virtuais pudessem ser utilizadas em escala global e com segurança.

Blockchains são cadeias de blocos de dados que só podem ser alteradas pelo conjunto dos usuários. Nos últimos anos, começaram a surgir novas aplicações para essa tecnologia revolucionária. No limite, qualquer transação de dados com valores financeiros pode ser feita com base em blockchain. O autor futurista Daniel Jeffries publicou recentemente uma perspectiva para os próximos 20 anos, do bitcoin e do blockchain.

A primeira previsão de Jeffries diz que existe, de fato, uma bolha de valorização, e ela vai estourar em algum momento. “Mas qual é o problema? O estouro da bolha não é o fim da história. É apenas o começo”, afirma Jeffries. “Depois do estouro é que vão surgir as ideias mais funcionais.” Foi o que aconteceu com a internet, ele lembra: depois que a bolha se desfez, muitas empresas perderam fortunas, mas foi depois da crise que surgiram empresas inovadoras como a Amazon e o Google. “O mesmo vai acontecer com a tecnologia cripto”.

Para Jeffries, um passo mais demorado vai ser a adoção, em larga escala, da tecnologia blockchain pelos governos. Eles vão resistir à perda de controle, diz Jeffries e, ainda assim, daqui a dez ou 20 anos, “podemos esperar criptomoedas governamentais muito fortes, dominando o fluxo de dinheiro para muitas, se não todas, as pessoas do mundo”.

Na previsão de Jeffries, não existirão mais centenas de criptomoedas, mas sim uma meia dúzia mais estável, e também mais fácil de usar. “Atualmente, os sistemas de operação de criptomoedas não são nada amigáveis para o usuário”, diz.

Daniel Jeffries analisa que, mais do que uma mudança na transação de valores, o que está para acontecer na economia mundial é a revolução trazida pela descentralização. “Os sistemas de blockchain são apenas a primeira etapa da implementação de mecanismos de consenso descentralizados. Nos próximos 20 anos, dezenas, senão centenas de protocolos de consenso serão desenvolvidos, com níveis altíssimos de segurança. Muitos deles nem sequer serão desenvolvidos por humanos, mas por sistemas de inteligência artificial”. 

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