Como fazer contabilidade com blockchain privado?

A mesma tecnologia que deu origem ao bitcoin pode provocar uma revolução na maneira como as operações financeiras são registradas e mudar a forma de operar que vem desde o Renascimento

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Desde o Renascimento europeu as transações financeiras costumam ser registradas no sistema conhecido como partidas dobradas: um lado assinala a entrada realizada, o outro documenta a saída do mesmo valor.

No século 21 está surgindo um novo método, o de entradas triplas: as duas partes documentam a transação em um grande livro de contabilidade virtual, descentralizado, inviolável. Em ambos os métodos, o objetivo é o mesmo: dar transparência e confiabilidade à operação. Mas, com o blockchain, uma técnica centenária ganha um incremento fundamental, um registro seguro e inquestionável, que elimina a necessidade de intermediários.

Blockchain é uma tecnologia desenvolvida sob medida para regulamentar transações de dados com valor financeiro. Criado em 2008 para dar suporte ao bitcoin, ele é formado por uma cadeia de blocos de dados que estão distribuídos por diferentes computadores ao redor do mundo. Esses dados são criptografados e cada transação é validada pelo conjunto dos usuários, o que inviabiliza adulterações e garante que, em caso de litígio, as duas partes possam conferir os registros anteriores, sem intermediários nem medo de fraudes.

Se todo registro contábil fosse armazenado em blockchain, os escritórios de contabilidade ganhariam agilidade, segurança e transparência. Mas por que blockchain privado? Existem diferentes tipos de redes de blockchain. 

Os privados são financiados por uma única organização, que determina quem pode ler e enviar transações e quem pode participar do processo de validação. São blockchains restritos, que perdem um tanto do caráter revolucionário original, que prevê que as redes sejam descentralizadas e totalmente livres. Mas, por outro lado, aumentam a sensação de segurança para os escritórios de contabilidade que lidam com empresas de grande porte.

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