Blockchain para a pecuária

A tecnologia criada para dar suporte ao bitcoin agora ajuda a monitorar a procedência dos animais criados para o consumo. Isso pode oferecer garantia de qualidade aos açougues, restaurantes e aos consumidores

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Imagine um livro de contabilidade virtual onde cada animal criado para consumo é monitorado do nascimento até o momento do abate, transporte e armazenamento para o consumo. Cada passo dessa cadeia poderia ser registrado, para segurança dos produtores, dos distribuidores e dos consumidores. Tecnologia para isso já existe e se baseia em blockchain, sistema que já vem sendo utilizado para garantir a procedência e as condições de saúde dos animais criados para o consumo.

O blockchain surgiu para dar vida ao bitcoin e a todas as criptomoedas, por ser descentralizado e seguro. No caso da pecuária, a tecnologia pode ser aplicada de forma simples, ao permitir o monitoramento de cada fase do animal, incluindo vacinas e medicamentos administrados. Problemas de saúde ou más condições de armazenamento da carne seriam facilmente identificáveis, já que todos os registros estariam gravados e invioláveis. Toda a cadeia ganha com a medida, dos produtores aos açougues, passando pelos restaurantes e os consumidores.

Um dos primeiros projetos práticos de blockchain para essa indústria foi desenvolvido pela Hendrix Genetics. Por enquanto ele é dedicado a monitorar algumas espécies de animais cujo consumo é menor, como perus. Eles são acompanhados desde os criadouros até o ponto de consumo, e cada etapa é registrada em um sistema de blockchain.

Não é uma iniciativa isolada. Startups como a Provenance e a FarmShare também estão trabalhando em projetos piloto para monitorar a cadeia de criação e distribuição de animais. Eles pretendem inserir chips nos bichos e desenvolver sistemas em blockchain para registrar as informações de forma segura.

“Examinamos os prós e os contras de aceitar a moeda digital e decidimos que agora é provavelmente um bom momento, porque está começando a entrar no mainstream”, disse, em entrevista à publicação Town & Country, Marco Ciocca, fundador e gestor de duas unidades Montessori da cidade, localizadas no edifício Flatiron e no Soho

“Somos a primeira escola de jardim de infância a aceitar moedas digitais como forma de pagamento”, afirma Ciocca, revelando que os pais se mostraram divididos. Alguns já vinham pedindo para usar bitcoins para pagar as mensalidades, outros revelaram estar preocupados em saber se o pagamento em criptomoedas é realmente seguro.

A decisão da escola infantil nova-iorquina já começa a ser seguida por outras instituições. A escola particular Indian Mountain School (IMS), de Connecticut, também já aceita o pagamento com criptomoedas. Para o diretor Mark A. Devey, essa é uma maneira criativa de levar o assunto moedas digitais aos alunos.
 

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