Blockchain cria plataforma de compartilhamento de vídeos

Nas palavras do cofundador da Paratii, Felipe Pereira, o projeto é um YouTube sem a intermediação do YouTube. A iniciativa vai permitir que os produtores de conteúdo negociem seus vídeos livremente

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Formado em comunicação, Felipe Pereira trabalhava em uma das maiores produtoras de vídeos do país, a Bossa Nova Films, quando percebeu que havia um problema sério nesse mundo do audiovisual: o controle sobre a propriedade intelectual em tempos de internet. Vídeos publicitários, longas metragens, produções para YouTube ou Netflix... Para tentar garantir a segurança desse mercado, existem muitos intermediários. “Quando o conteúdo chega ao espectador, a pessoa que o criou geralmente fica com menos de metade da renda que gerou”, ele percebeu.

Foi então que decidiu trabalhar com blockchain para solucionar o problema dentro da Bossa Nova Studio, uma unidade de criação e desenvolvimento de propriedade intelectual da produtora. O projeto cresceu e hoje Felipe se dedica em tempo integral à Paratii, uma plataforma para monetização descentralizada de vídeo online, com zero de taxação sobre a receita.

“Queremos criar um YouTube sem YouTube, ou seja, uma plataforma de vídeo sem os intermediários, que filtram o conteúdo e ficam com uma parcela dos rendimentos adquiridos pelos proprietários”, ele explicou, no último dia 8, no espaço inovaBra habitat, em São Paulo. A reunião foi mediada pelo jornalista Pedro Dória, com participação de Mauro Rebelo, da Genecoin, Percival Lucena, da IBM, e Paulo Morais, do Programa Venturança.

Para alcançar seu objetivo, a produtora Paratii construiu um vídeo player embedável, com protocolos abertos e projetado para recompensar todos os usuários que contribuem com o sistema de forma social, econômica ou técnica. Ou seja: há incentivos para que a comunidade possa coletivamente fazer a curadoria do conteúdo e até submeter contribuições para a melhoria do software do player. “Qualquer pessoa pode utilizar, pode monetizar seu conteúdo como bem entender, e pode ficar com 100% do valor, seja via venda de anúncios, seja um payperview, seja por comercialização de assinatura”, explicou Felipe, durante o evento.

O encontro do dia 8 serviu como um aquecimento para o Blockchain Festival, que vai acontecer no dia 23 de maio, no Renaissance Hotel, também na capital paulista. Realizado pela TW Content, o festival contará com mais de 25 palestrantes, que irão discutir a fundo as aplicações dessa tecnologia.

Entre os nomes confirmados no evento do dia 23 estão Luca Cavalcanti, diretor executivo de canais digitais, inovação e Next do Bradesco; Glória Guimarães, presidente do Serpro; Ronaldo Lemos, do ITS-Rio; Keiji Sakai, head do consórcio R3; Anderson Thees e Manoel Lemos, do fundo Redpoint eventures, além de representantes de empresas e instituições como Banco Central, Banco do Brasil, B3, Pinheiro Neto Advogados, ConsenSys, Taylor... Um timaço que vai dividir com a plateia todo o seu conhecimento sobre blockchain.

Blockchain Festival