A Amazônia pode ser cadastrada e monitorada

 O blockchain é uma ferramenta poderosa para impedir a exploração ilegal de recursos naturais do planeta. A começar pela floresta amazônica. Com fauna e flora registradas, a ação dos piratas ficaria bem complicada

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O desvio de bens da Amazônia poderia ser evitado. Bastaria que toda a fauna e a flora da maior área verde do planeta fosse registrada e monitorada por meio de uma plataforma de blockchain. Com isso, cada vez que um biopirata tentasse comercializar o produto de seu roubo, seria pego. Isso porque as inscrições genéticas contidas no banco de dados descentralizado e criptografado garantiriam o registro de origem da riqueza amazônica. O que parece ser uma teoria utópica já está em curso e é bem mais ambiciosa do que cuidar “apenas” da nossa floresta. 

O projeto Earth BioGenome  pretende cadastrar o DNA de todas as espécies conhecidas da Terra em um período de 10 anos. Isso envolve desde microrganismos invisíveis a olho nu até os mais complexos vertebrados e plantas. 

Um dos idealizadores do EBP, Harris Lewin, esteve em São Paulo no ano passado para um encontro promovido pela Fapesp e pela Academia Brasileira de Ciências com a comunidade científica. “Há 1,5 milhão de espécies já identificadas e caracterizadas. Mas isso representa apenas 10% da biodiversidade terrestre. Cerca de 90% ainda estão para ser descobertas”, disse Lewin, que é professor de Evolução e Ecologia na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. O Brasil pode contribuir muito com a tarefa, pois abriga 10% da biodiversidade do planeta. A primeira etapa do EBG foi a criação do Amazon Bank of Codes. Ao registrar o código genético e a origem de tudo o que existe na floresta, a iniciativa pode estimular os moradores locais a preservar a biodiversidade da região onde vivem. Mais do que preservar, eles seriam estimulados a encontrar formas de extrair renda, de maneira sustentável, das matérias-primas únicas oferecidas pela mata.

Quem conduz o projeto na Amazônia é o empresário Juan Carlos Castilla Rubio, que já tinha o objetivo de criar as condições para que a região da Amazônia pudesse colocar em prática o Protocolo de Nagoya, aprovado em 2010 e que já oferece condições legais para que os países cobrem royalties pela exploração de seus recursos naturais. A iniciativa de Rubio recebeu apoio do Banco Econômico Mundial e acabou sendo incorporada pelo Earth BioGenome Project.

O Amazon Bank of Codes é ambicioso e seria difícil de ser colocado em prática sem a tecnologia de blockchain, que garante o registro inviolável das pesquisas genéticas desenvolvidas na região – e, no futuro, em todo o planeta.
 

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