Como Bill Gates vai ajudar 2 bilhões de pessoas que não têm contas bancárias

Fundador da Microsoft pretende usar a tecnologia de blockchain em países pobres e de economias prejudicadas por guerras para incluir a população que não tem acesso a serviços financeiros para pagamentos e recebimentos

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Em muitos lugares do planeta, manter uma conta bancária é um luxo inacessível. A pobreza, e muitas vezes os conflitos armados, não permitem que os governos locais garantam um mínimo de confiabilidade para o sistema financeiro. Resultado: 2 bilhões de pessoas no mundo não têm contas bancárias. O fundador da Microsoft quer usar a tecnologia de blockchain para mudar essa situação.

A Bill & Melinda Gates Foundation trabalha no Level One Project desde 2015. Em outubro passado, a iniciativa resultou no Mojaloop, um software livre para aumentar o acesso a serviços financeiros. Graças a ele, é possível desenvolver sistemas locais de pagamento e recebimento, baseados nos telefones celulares, que, em geral, estão disponíveis até nos pontos mais violentos e desestruturados do planeta.

E onde o blockchain entra? Ele é uma espécie de livro virtual de contabilidade, criptografado e distribuído pelo mundo todo – longe, portanto, do acesso de governos e intermediários. Assim, uma mulher de Uganda, por exemplo, pode receber salário pelo sistema, construído localmente, e usar a mesma plataforma para comprar comida e remédios ou pagar pela educação dos filhos. E tudo isso sem a interferência de grupos armados ou de governos corruptos.

No caso de pessoas que já usam contas digitais, mas de diferentes fornecedores, como acontece com muita frequência na África, o Mojaloop permite colocar plataformas diferentes em contato, de forma a facilitar as transações. A fundação de Bill Gates abriu mão de qualquer propriedade ou controle sobre o Mojaloop – palavra que, no idioma suaíli, falado no Congo e na Nigéria, significa “um”.

 

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